ADR e BDR: Saiba o que são, como funcionam e se vale a pena investir neste tipo de ativo
- Vitor Ferreira Bautista
- 14 de out. de 2022
- 4 min de leitura
No último dia 12 (feriado nacional do Dia de Nossa Senhora Aparecida), nossa querida B3 estava fechada, mas os papéis de empresas brasileiras negociados na NYSE (Bolsa de Nova Iorque), operavam intensamente, e as principais fecharam em queda. Isso influencia na abertura de mercado por aqui, então, tive o insight de abordar este assunto.
Começando pela ADR, indicados para quem deseja investir na bolsa de valores americana, ativos são seguros e podem pagar dividendos em dólares.
Mais conhecido por sua sigla (ADR), o American Depositary Receipt é o certificado de ações que permite a empresas estrangeiras (incluindo as brasileiras) negociarem os seus títulos nas Bolsas de Valores dos Estados Unidos.
São emitidos por bancos americanos, a partir dos recibos de ações. Essa é a razão do nome American Depositary Receipt — que, em tradução livre, significa Recibo Depositário Americano.
Os ADRs atuam como facilitadores entre investidores e empresas estrangeiras, possibilitando a comercialização das ações a um preço favorável para ambos.
Como os American Depositary Receipts funcionam?
Imagine que uma empresa com capital aberto no Brasil decida negociar as suas ações em uma das Bolsas de Valores dos Estados Unidos.
Optando pela emissão de ADRs, ela percorre o seguinte caminho.
Suas ações devem ser custodiadas em uma instituição depositária brasileira (CBLC). É obrigatório que a instituição possua a autorização de funcionamento do Banco Central, assim como esteja adequadamente habilitada pela CVM.
Então, nos EUA, um banco emite recibos relacionados a esses títulos sob custódia e os disponibiliza em um mercado de balcão ou Bolsa de Valores, sob a forma de ADR.
O American Depositary Receipt pode ser composto por uma única ação, pela fração de uma ou por um conjunto (pacote) de ações. Estas podem já ter sido negociadas anteriormente (apenas em alguns casos) ou ser totalmente novas.
O valor das ações é negociado em dólar e acompanha a cotação no país de origem (no caso, o Brasil).
Para atuar, cada empresa recebe um código único correspondente em ADR.
Por exemplo, PBR é o código da Petrobrás. GGB é o da Gerdau. ABV e BBD são, respectivamente, os códigos da Ambev e do Bradesco.
Atualmente existem mais de 30 empresas brasileiras atuando no mercado financeiro dos
EUA.
Quais são os tipos ADRs existentes?
Os ADRs são divididos em 3 níveis:
No Nível 1, as ações são negociadas apenas no mercado de balcão.
Já no Nível 2, as ações são negociadas diretamente nas Bolsas de Valores, como NASDAQ e NYSE.
No Nível 3, uma Oferta Pública é lançada. Semelhante ao IPO, mas apenas de ADRs, é obrigatório que as ações disponibilizadas nesse nível sejam novas.
A divulgação de informações aos seus acionistas também varia em cada nível, de forma crescente.
Isso significa que as exigências feitas pela SEC (Securities and Exchange Commission, a “CVM americana”) são mínimas para o Nível 1, aumentam no Nível 2 e chegam ao topo no Nível 3.
Quais são as vantagens de se atuar com ADR?
Do ponto de vista do investidor, os ADRs facilitam a compra de ações de empresas estrangeiras. Com custos reduzidos, a partir do corte de impostos e custos de administração estrangeiros, é possível operar de forma mais lucrativa.
O Brazilian Depositary Receipt (traduzido como Certificado de Depósito de Valores Mobiliários) é um título que permite a investidores brasileiros comprarem ações de empresas estrangeiras.
Através de certificados emitidos aqui no Brasil, surgem os recibos de ação, que estão atrelados às ações originais sob custódia no país de origem.
O BDR é uma excelente opção para os investidores brasileiros que desejam aplicar em companhias internacionais. Isso porque, além de evitar os altos custos de se enviar capital ao exterior, ele também oferece os mesmos direitos garantidos aos acionistas estrangeiros, como o recebimento de dividendos.
Como funcionam?
É o mesmo princípio de uma ADR, porém, de forma inversa. Para que os BDRs sejam emitidos, é necessário que existam duas instituições depositárias envolvidas na transação.
A primeira, situada no país de origem da companhia, é responsável pela custódia das ações.
Já a segunda, situada no Brasil, é quem emite os BDRs e garante que os certificados estejam lastreados com os valores mobiliários originais.
No Brasil, a autorização deve ser dada pelo Banco Central, enquanto a habilitação para emissão de BDRs provém da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Quais são os tipos de BDRs?
Cada modalidade de patrocínio comporta as suas próprias diversificações internas.
Os BDRs patrocinados são divididos em 3 níveis. Já os não-patrocinados contam com apenas um.
BDR patrocinados
Nível 1: são certificados negociados apenas nos mercados de balcão.
Nível 2: esses certificados podem ser negociados tanto no mercado de balcão quanto na Bolsa de Valores. No que o tange ao padrão das demonstrações contábeis da empresa, diferente do Nível I, aqui somente aceita-se o emprego do padrão brasileiro.
Nível 3: segue os mesmos parâmetros do BDR de Nível 2. É usado exclusivamente nos casos de IPO, simultânea no Brasil e no exterior.
A companhia se associa à instituição no processo de emissão. Assim, ela se torna diretamente responsável pela divulgação de informações aos acionistas e por lhes conceder outros direitos corporativos.
BDR Não-Patrocinados
Ao dizer que os títulos são do tipo não-patrocinados se sinaliza que a emissão de BDRs não derivou de um acordo entre empresa e instituição depositária, sendo iniciativa solo desta última.
Os BDRs não-patrocinados admitem negociações apenas nos moldes das realizadas no Nível I dos BDRs patrocinados.
O recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio. Já os patrocinados contam ainda com o direito a voto nas assembleias corporativas.
Quais são as vantagens de se investir em BDR?
Para os investidores brasileiros, o oferecimento de ações de empresas internacionais nos moldes dos BDRs é muito vantajoso.
Isso porque, aqueles que desejam investir em grandes empresas multinacionais (como Apple e Amazon), seriam obrigados a transferir dinheiro ao exterior e arcar com altas taxas, intermediários e câmbios. Além da economia, o BDR fornece aos investidores as vantagens comuns a qualquer acionista.
A diferença relevante entre esses dois DRs é que cada um se beneficia de acordo com a cotação entre as moedas. Dessa forma, os ADRs ficam mais atrativos quando o real brasileiro se valoriza em relação ao dólar enquanto o BDR se beneficia com o dólar mais alto em relação ao real.
Espero que tenham gostado,
Até a próxima semana!




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