Letras de Cambio
- Vitor Ferreira Bautista
- 12 de nov. de 2022
- 4 min de leitura
Vamos iniciar uma série de artigos cujo tema central serão os ativos de renda fixa, e hoje, abordaremos dois dos mais importantes produtos financeiros distribuídos em nosso mercado, a LCI e LCA.
LCI, é a sigla de Letra de Crédito Imobiliário que se refere a uma aplicação da renda fixa emitida pelos bancos privados para financiar o setor imobiliário.
Além disso, a aplicação inicial da LCI varia de acordo com cada corretora. Por muitas das vezes, se consegue investir na Letra de Crédito Imobiliário a partir de R$ 1.000,00.
Como funciona a LCI?
O investidor precisará de uma conta aberta em um banco ou corretora para realizar uma aplicação em LCI, levando em consideração o valor mínimo.
A data de vencimento da LCI será definida no dia da compra do título, permitindo que você já tenha uma previsão de quando poderá resgatar seu dinheiro e o rendimento.
Vale ressaltar que após realizar a compra de uma LCI, haverá um período de carência - que varia de banco para banco - para que você possa realizar o resgate. Por isso, a LCI não é recomendada para investimentos de curto prazo ou para sua reserva de emergência.
Também é possível escolher entre os títulos prefixados e pós-fixados.
Na primeira opção o seu rendimento irá conter uma taxa de juros fixa, ou seja, você saberá o quanto renderá a sua aplicação financeira do momento da compra até a data de vencimento.
Já na segunda alternativa, o rendimento do título dependerá de seus indexadores, que são as taxas utilizadas como base para calcular a rentabilidade do investimento, como por exemplo a SELIC, o CDI e o IPCA.
Entretanto, embora a rentabilidade varie de acordo com cada tipo de LCI, este investimento possui um dos retornos mais atrativos dentre as alternativas de renda fixa. Por isso, é tão procurada por investidores mais conservadores.
A LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) é um instrumento de captação de crédito que serve para o banco acumular valores que serão destinados, de forma exclusiva, ao crédito do agronegócio, ou seja, os bancos vendem aos seus clientes e demais interessados do mercado, as LCA’s.
Ao captar recursos com esse ativo, os bancos abrem linhas de crédito destinadas ao agronegócio, e assim, conseguem intermediar a operação financeira.
A LCA é isenta de imposto de renda, sendo assim, é um investimento que acaba se tornando ainda mais interessante aos investidores.
No final, como a captação desse recurso fica mais barata para os bancos (por conta da isenção), os empreendedores do agronegócio têm a sua disposição um crédito mais em conta em comparação direta com outras modalidades de crédito disponíveis no mercado.
Como funciona a LCA?
Da mesma forma que acontece com a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), a LCA financia um setor em específico, o agronegócio e é uma das áreas econômicas do Brasil mais importantes.
Para conseguir financiar tal área, a captação de recursos pelo agronegócio é constante. Esses valores são utilizados para adiantar produções, capital de giro, investimentos, compra de maquinário e diversas outras necessidades do setor.
Mas não adianta criar um produto financeiro, se ele não é atraente aos investidores. Por isso, no caso da LCA temos a isenção de imposto de renda.
Então, quando a letra vencer, e o valor for devolvido ao investidor junto dos juros, não haverá a incidência de IR sobre ganhos.
A única diferença que a LCA tem em comparação com o CDB, está relacionado ao seu vencimento.
Não existe LCA com liquidez diária. O tempo mínimo de permanência nesse produto financeiro é de 90 dias.
Tecnicamente, observando todas as alternativas de investimento existentes no Brasil, poucos produtos de renda fixa que, dentro desse prazo, superam a rentabilidade líquida da LCA.
Isso acontece devido à retenção de IR regressiva. Em 90 dias, por exemplo, o IR retido pode chegar aos 22,5% do rendimento do investidor.
Mesmo em um CDB que pague 110% do DI, tal rentabilidade líquida não seria equivalente ao rendimento oferecido por uma LCA com 90% do DI. Afinal, esse CDB renderia apenas 85,25% do DI depois dos impostos.
Vale destacar que as LCA podem variar bastante com relação ao vencimento, estando dentro dos 90 dias (mínimo) até períodos maiores, como 2 anos.
Observando todos esses pontos, podemos concluir que dentro dos produtos de renda fixa disponíveis no mercado, as LCA, no curto prazo e até no médio prazo, são bem atraentes.
Como investir em LCI e LCA
O primeiro passo para investir é decidir entre aplicar o valor por meio dos bancos privados ou pelas corretoras que emitem a letra ou as distribuem.
Geralmente a aplicação direta pelos bancos privados não é uma alternativa tão vantajosa, afinal eles oferecem títulos que não possuam uma rentabilidade tão boa quanto as corretoras.
Essa compra pode ser feita diretamente pelas plataformas online das instituições financeiras (como o internet banking e o home broker) ou via mesa de operações (solicitando a seu gerente de conta ou assessor de investimentos).
Vale destacar que diferente de outros produtos financeiros como o CDB, a LCA não tem emissão “infinita”. Ou seja, quando o banco já possui um estoque alto dessa letra, ele não faz mais novas emissões. Isso pode acabar trazendo certas dificuldades ao investidor que está interessado em investir.
Por outro lado, uma alternativa que pode compensar essa demanda é a LCI, letra bem semelhante à LCA e em grande parte mais acessível.
Ambos os investimentos são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), garantindo a segurança dos seus investimentos para aplicações de até R$250 mil por CPF e conglomerado financeiro.
Então se o investidor realizar uma aplicação abaixo dessa quantia, ele não precisará ficar preocupado com a perda do dinheiro. Dessa forma, o FCG minimiza os riscos e torna a LCI um investimento mais interessante, tanto para o investidor quanto para as instituições financeiras.




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